
Live A Live não é um JRPG tradicional, isso é tanto seu ponto forte quanto sua barreira de entrada. Feito pela grande Square em 1994, aonde acompanhamos 8 histórias em vários períodos do tempo, desde a pré-história, até o futuro distante.
Começamos o jogo podendo escolher entre 7 períodos históricos distintos, cada um com uma história standalone de 2-4 horas, que não se conecta com nenhuma das outras, mostrando os grandes feitos de cada protagonista em seus respectivos períodos.
E essas histórias são o ponto forte do jogo, cada história altera mecânicas fundamentais, se mutando para cada protagonista e período histórico. Em um deles você é um personagem que pode ler a mente dos outros, o que transforma todos os diálogos do jogo podendo ler a mente dos npcs; em outro período histórico ainda não existia a fala, o que leva o personagem a ter que se comunicar através de expressões faciais e gestos.

Embora alguns capítulos sejam definitivamente melhores que outros cada um deles introduz mecânicas novas e fundamentais ao jogo pensadas de maneira criativa se reinventando a cada campanha.
A base do combate é o mesmo para todas as campanhas, seguindo um RPG tático por casas, com cada personagem tendo habilidades bem diferentes dos demais os tornando mais ou menos eficazes dependendo da situação, apesar de simples o sistema valoriza o posicionamento certo e a leitura da luta.
Essa diversidade de personagens, brilha no capítulo final, aonde podemos escolher com qual protagonista jogar, e montar nossa party dos sonhos escolhendo os protagonistas das campanhas jogadas, com cada personagem ainda tendo suas características únicas para o capítulo final.

A dificuldade dos combates é bem equilibrada durante a maior parte do jogo. Live a Live sabe utilizar as mecânicas de forma criativa para que não seja muito fácil, e ainda ser desafiador em alguns momentos. Raramente senti a necessidade de farmar níveis; mudando de forma abrupta no capítulo final, aonde diferente do resto do jogo somos obrigados a passar um tempo considerável pra ter alguma chance contra os inimigos e o boss final.
Visualmente Live a Live é todo feito em pixel art, com visuais caprichados e criativos, durante todo o jogo parava para apreciar as pixel arts dos inimigos. A trilha sonora não fica muito atrás, é o que se espera de um JRPG da Square em 1994.

Embora possua uma história curta, sem tanto investimento emocional como outros JRPGs da época se destaca pela variedade e pela experimentação. Não é um jogo nos moldes mais tradicionais como Final Fantasy ou Chrono Trigger. É uma obra experimental com várias mecânicas e ideias diferentes, é mais perto de um livro de contos do que de uma história épica, mas é isso que o diferencia.




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